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Marnie Stern

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Já a bordo, descem-se as escadas para a sala de espectáculos, o porão do Thekla. O cheiro a cerveja derramada e a suor destilado manifesta-se. As noites de certo que são animadas e não há tempo suficiente para arejar o barco.
Ao fundo o palco, um metro acima do nível da plateia. Cerveja na mão e ala para junto do palco.

Início de espectáculo, não sem um qualquer problema de munição de palco. Nada que abale a boa disposição e expectativa. Marnie Stern começa começa o seu recital de virtuosismo e técnica através da sua guitarra. Não um dedilhar inconsequente e bacoco, um rendilhar que constrói uma teia de emoções sonoras. Uma delícia para os ouvidos. O público entrega-se. A artista interage com ele.


45 minutos depois tudo termina mas fossem outros 45 e ninguém teria parado de se embalar pela guitarra empunhada por Marnie.

Durante a hora e meia anterior Strange Billy the Saint & Bernadette Pike e The Agitator haviam muito competentemente pré-aquecido a audiência.


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Live a(c)t :: Danae

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Danae & os novos crioulos
Espaço Celeiros. Évora
27Fevereiro2010

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Nada estava programado quando surgiu a possibilidade de ver a Danae em Évora. Para mim foi já a terceira vez e a expectativa de ver a evolução era enorme.

A Danae e o seu espírito de jovem sem papas-na-língua surgiu-me pela primeira vez nas mãos há já uns bons anos sob a forma de maquete, gravada em Coimbra, julgo eu que na RUC.
Então, o som era mais brasileiro, as letras com uma necessidade de intervenção e o estilo era o de cantautora quase solitária. Só ela e uma guitarra.
Sob este formato tive o prazer de a ver no TAGV a embalar a primeira parte de um concerto de Maria João e Mário Laginha.

Mais tarde, em 2006, já depois de lançado o seu primeiro álbum sob a alçada de Pedro Renato dos Belle Chase Hotel, Condição de Louco, o meu caminho era em direcção à ZDB. Aí a evolução já era bem notória. Já não estava sozinha em palco e notava-se que literalmente tinha saído do seu quarto. A voz, a presença, a música, tudo estava mais maduro e o saldo foi francamente positivo.

Agora, em 2010, tive finalmente o prazer de assistir ao vivo a mais uma apresentação do álbum cafuca, lançado em 2008.
Confesso que fiquei mais uma vez impressionada com a evolução. Não com o talento porque esse já há muito que era notório, mas com o à vontade. Agora sim, com este álbum, Danae encontrou a "sua praia". Menos brasileiro, embora esta nunca tivesse sido uma influência com ar forçado; mais crioulo; mais mornas; mais estórias e musicalmente mais interessante, muito por culpa de os novos crioulos. Este último álbum teve a participação de Johannes Krieger no trompete, de Raimund Engelhardt nas tablas e de Danilo Silva na guitarra, um músico excepcional.

O concerto só não foi perfeito porque Raimund andava algures perdido, presumimos todos que pelo álcool. Fora dos tempos, à procura de um protagonismo nas músicas que em nada se adequava ao perfil de grupo mostrado pelos restantes. Valeu pela paciência e sorriso largo de Danae, que de tudo fez para manter Raimund dentro da "linha editorial".

O meu jejum foi longo demais. agora já mal posso esperar pelo próximo.








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Micachu & The Shapes

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Micachu & The Shapes
The Loft
21 Novembro 2009

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Foto: Gina Domina

A vontade de ver os Micachu & The Shapes já vinha desde que os ouvimos pela primeira vez, não foi assim há tanto tempo dado que o grupo também é relativamente recente, mas há tempo suficiente para que o bichinho tivesse ficado lá. Assim que havia alguma expectativa quanto a este concerto.
Além disso, estava integrado numa festa maior, O Baile, e por isso esperávamos uma noite no mínimo diferente e divertida.
Chegámos ao The Loft na promessa de um concerto que começava a horas e de bar aberto! Como é óbvio as duas coisas saíram goradas.

Restava-nos a espera num local que é de si confortável, mas cuja fauna nada tem a ver com o público de Micachu. "Passerellavam" vestidos brilhantes para aqui, boinas estridentes para ali e saltos altíssimos por todo o lado. Viríamos a comprovar que quem estava ali a mais éramos nós, os que para ali foram com o único propósito de se divertir n'O Baile: ao longo do concerto metade do público conversava, fumava e bebia como se de qualquer outra noite no The Loft se passasse. Outros acharam que seria bem mais divertido documentar o insólito e não hesitaram em ir bem lá para a frente tirar aquilo que uma amiga chamou de "fotografias no social": "olha eu para mim tão linda num concerto".

Nada disto seria um problema se de uma forma ou de outra não tivesse afectado o espectáculo. Faltou-lhe alguma garra, alegria e maior comprometimento com o público.
E alongar os 40 minutos também não teria sido nada mau.... Soube a muito pouco, daqueles concertos em que parece que mal tivemos tempo para aquecer e de repente.. vai ser tão bom.. não foi?! O que fazer quando a carreira é curta?

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Foto: Gina Domina

Mas nem tudo foram espinhos. Micachu & The Shapes vieram a Portugal apresentar Jewellry (Rough Trade, 2009) e no final o balanço foi positivo. A música de Mica Levi tem o dom natural de levantar o nosso pézinho do chão e de abrir o sorriso. Passaram como seria de esperar pelos pequenos sucessos: Lips, Turn me Well, Vulture e Sweetheart.
Esperamos a volta num local mais condigno que só por si gere o ambiente.


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feedback rules

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Ontem foi dia de Agent Ribbons no Via Club, em Coimbra. Um concerto organizado pela
recente Put Some...
A avaliar pelo álbum Your Love is The Smallest Doll e pela indumentária das 3 meninas
esperávamos um concerto no mínimo divertido, mas há noites que simplesmente não
correm bem.
Chegadas ao Via Club, a sala practicamente vazia fazia supor uma sala a meio gás, o que
se confirmou.

E o concerto? Bem esse começou da melhor maneira com a voz de cabaret fabulosa de
Natalie Gordon a se impor numa sala ainda a aquecer. Mas logo surgiram os problemas.
Aqui o tasco é "cliente" assíduo dos concertos que têm passado pela Via, mas apenas
porque o programa é quase sempre irrecusável.
O som na Via é do pior que há e tem uma facilidade incrível em transformar os concertos
em verdadeiros pesadelos, para público e banda.
Ontem o público endoidecia com os feedbacks e elas desesperavam por não conseguirem
dar um bom espectáculo.

Ficamos assim sem perceber se ao vivo há algo que se perde da harmonia das Agent Ribbons,
ou se foram mesmo as condições que não permitiram fazer melhor.
Ainda assim estávamos ali todos para o mesmo e pediram-se encores, concedidos a medo
por causa das "technical difficulties".
Só terminaram quando Natalie "Ribbons" olhou para a sua guitarra cheia de sangue "for the first time".
Isto sim é do Rock!


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ZDB müzique

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4 de Julho
15 anos ZDB
Museu de História Natural e Galeria ZDB
Lisboa


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4 de Julho. Dia da Independência lá nos Estates, dia de anos da Lilinha e do Filipe (Muitos Parabéns aos dois!) e aniversário da ZDB.
1. Os Estates eram muito longe;
2. não sei se o Filipe fez festa;
3. a Lilinha já sabe o quão desnaturada eu sou, mas o quanto eu a adoro;
4. os 15 anos da ZDB prometiam e cumpriram.

A festa estava marcada para as 19h no exterior do Museu de História Natural. O melhor dos cenários para um final de tarde calorento.
Sombra, sombra, sombra e crianças, crianças, crianças. Nenhuma das duas é comum em Portugal, num evento desta Natureza, daí que o horário e o local não poderiam ter sido melhor escolhidos.

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Foto: Vera Marmelo

Esperávamos os Sun Araw, mas foram os Guiné All Stars a abrir as hostes. Já fazem parte da casa e o público aderiu. Uma anquinha para aqui, outra para ali, miúdos aos pinchos e a sorrir de felicidade e tudo a cantar Ça c'est bon!
"Guineenses lisboetas, representantes por direito próprio de uma das diásporas africanas musicalmente mais ricas, Kimi Djabaté, Maio Coopé, N’ Dará Sumano, Braima Galissá, Sadjo, Gelajo Sane e Renato LEVARAM a magia gumbé e griot ao Museu Nacional de História Natural"(ZDB).
Ça foi muito bom. O concerto terminou com Kimi Djabaté e N'Dara Sumano no palco a condenarem a poligamia tão comum nos povos Africanos: Si tu pleures, c'est pas bon! Nós por aqui concordamos plenamente.

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Guiné All Stars

Os trocadilhos de última hora também levaram os Konono nº1 ao palco bem mais cedo do que se estava à espera. Foi pena, pois a ideia de acabar a noite em tom primaveril, ao som dos Konono nº1, não era nada de se deitar fora.
Têm já 25 anos de vida, editam desde 1978, mas para o bem e para o mal não são comandados por nenhuma máquina comercialóide e só em 2005 chegaram ao público Ocidental, com Congotronics, e no sábado apresentaram-se pela primeira vez em Lisboa.
No Museu de História Natural (será uma ironia?) todos partilhamos da "força criativa que guia esta gente"(ZDB). A noite já tinha caído, o palco estava a média luz e eu tentava acompanhar os movimentos corporais de Pauline Nsiala Mbuka. Missão impossível. Nunca a minha cintura me vai obedecer daquela forma.
Menos dificil era deixar-me "hipnotizar pelo poliritmo que os caracteriza"(ZDB). Os Konono nº1 reinventam a música tradicional da etnia Bazombo, da República Democrática do Congo, com "likembes electrónicos e percussão diversa maioritariamente construídos e amplificados a partir de velhas peças de automóveis e outros apetrechos similares resgatados do ferro-velho e posteriormente modificados"(ZDB).
Pura festa.

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Foto: Vera Marmelo. Konono nº1

As alterações de última hora obrigaram a que os restantes concertos passassem para a Galeria Zé Dos Bois. Medo! Como iria caber aquela gente toda na ZDB? Não sei como fizeram o milagre, mas ele aconteceu. Um pouco abafado, é certo; com muita gente no terraço, mas a coisa deu-se.
Entre bebidas e conversetas não estive muito atenta a Sun Araw, mas nunca poderia perder Pocahaunted.

O nome, Pocahaunted, não vem por acaso. Os cânticos de Amanda Brown e Diva Dompe trazem os nativos americanos no imaginário; a música drone eleva-nos o espírito e deixa-o a vaguear; a pitada de dub e funk a baixas rotações dá-nos o ritmo de grupo: a tribo estava ali para os ouvir.
No concerto, dizia-me um amigo que eles ao vivo estavam "mais rock". Na altura não concordei, não era assim que eu o estava a sentir, mas percebo o que quis dizer: as músicas estavam de facto mais curtas em detrimento de um ambiente mais hipnótico.
A medir por uma sala que neste último concerto já só estava a meio gás, encurtar as músicas foi provavelmente a melhor opção.

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Foto: cali. Pocahaunted (standup neon commune)

Diz que esta foi a primeira noite de festejos.
Aguardamos pelas próximas.


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Tiguana Bibles

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Num possível saloon de Coimbra, na primeira fila e sentada na cadeira com o número 1, preparava-me para de novo navegar no mundo criado pelos Tiguana Bibles ( que já apresentei num post anterior).

O pano vermelho caiu e o inicio deu-se com uma dose de notas deambulantes numa Intro instrumental que preparava a entrada da diva Tracy Vandal, que inundou o Teatro de sensualidade e glamour transportando-nos para um ambiente de requinte.

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Do desfile constou todo o EP de estreia “Child of the Moon”, entre versões slow e fast de algumas músicas e outras novas, foi num ápice (cerca de uma hora e meia) que, de forma apoteótica, um a um se despediam do público deliciado.

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Voltaram uma e outra vez, Tracy aquecia a voz com o seu whisky e docemente encantava o Teatro passeando a sua pose imponente e voz divinal.


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Consegui sorrateiramente registar alguns momentos, os melhores ficaram ali,quero mais, que venham mais....


Continuam em tournée, imperdível!



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:papercutz ao vivo na SHE

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To be papercutzed: to pursue your own way, to dream images in music,
to like the light as well as the dark, to see all music styles as valid languages
in which artists use to describe what's inside them,
to find :papercutz's music and ideas a place where you can lose yourself... let's get lost!

No sábado perdi-me na Sociedade Harmonia Eborense (SHE) conduzida por uma voz
profunda por entre labirintos de som.

Os :papercutz apresentaram-se na SHE reduzidos a 2 elementos.
Já o tinham feito há uma semana atrás na Tertulia Castelense e a dupla resulta.
Lylac, o seu primeiro álbum (têm mais 3ep), editado pela Apegenine recordings,
foi o mote para este espectáculo marcado por um ou outro percalço, talvez como resultado de
alguma tensão e nervosismo que se fazem sentir nestas situações.
Nada que Marcela e Bruno não conseguissem ultrapassar com maestria.

Marcela, dona de uma voz fina e quente prende-nos ao palco com toda a sensualidade e
limpidez da voz. Bruno capta-nos a atenção com os seus sons cuidadosamente escolhidos,
trabalhados e mesclados. Apesar do rendilhado da música, o resultado é de uma solidez
e homogeneidade desarmantes. Percebi porque é que resulta tão bem depois de os conhecer.
Ambos têm uma curiosidade enorme pelo mundo que os rodeia. Nada é ignorado e tudo é
potencial tema de conversa.
O mesmo se passará com a música. Todos os géneros terão o seu valor, o seu objectivo,
e podendo gostar-se mais de uns do que de outros, todas as linguagens são válidas.
No final, a música é tão fluida como foi a converseta.


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Barcelona, mediterrâneo, primavera sónica.

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A Lola foi a Barcelona e teve a sua aventura no Primavera Sound Festival. Trouxe muitos relatos e partilha aqui os que retratam algumas miúdas que também lá foram, estas para cantar.


Num cenário de final de tarde deambulante, o aquecimento prévio para o que iria ser uma noite extensa e intensa deu-se ao som dos
The Vaselines. Indie pop bem doseada com letras dançantes apropriadas para a melhor hora do dia, já bem dizia Kurt Cobain: my most favorite songwriters in the whole world.
A simpatia da Pretty Flower Eugene Kelly trouxe uma agradável brisa ao momento, cantou e encantou com Molly’s Lip”, Monsterpuss e Son of a Gun mas...




Enquanto vagueava entre o inúmeros palcos do festival abro um pano negro e eis que me deparo com uma palete de mil cores personificada nas Ebony Bones, ecléticas, poderosas, excêntricas, electrizantes, enérgicas, dançantes e saltitonas, mais??? Não será preciso.
Desta vez uma imagem vale muito mais do que mil palavras!

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Ansiosamente corri para não perder
Bat for Lashes. Entrei de rompante na magia que inundava aquele palco e levitei, Natasha Khan e Co fizeram o resto, Two Suns foi apresentado mas foi ao som de malhas do primeiro álbum que segui viagem.
La piú bella donna de fato listado-zebra, voz límpida e arrepiante, foi bem acompanhada com Charlotte Heatherly na guitarra, escolhidos os objectos e sons ao pormenor, nada falhou, e foi ao som de Daniel que pousei o pé e me deliciei.




A última é já uma Senhora, e que senhora, a poderosa e austera Kim Gordon aparece em palco trajada a rigor, sapato branco, meia preta rasgada e perna à vista. Iniciam a marcha do que se tornaria para mim o concerto da noite, do festival, a grande mulher do festival! Sonic Youth are the icing on the cake capazes de fazer sentir na espinha a garra e o poder que emanam. Kim Gordon torna-se a protagonista de um momento not Anti-Orgasm, orgásmico!



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Primavera Sound 2009

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Na minha longa viagem de autocarro entre Évora e Coimbra tive todo o tempo do mundo para escrever o meu Diário de Bordo sobre tudo o que se passou no Primavera Sound. Era um longo texto cronologicamente alinhado onde todas as emoções estavam explícitas. Mas também isto do blogging é como o lugar do pendura nos carros: SHOTGUN! A gasosa adiantou-se. Não que houvesse problema em descrever tudo novamente. Simplesmente, me parece desnecessário. Todos os momentos foram vividos a dois e felizmente em completa sintonia. Tudo o que podem ler aqui, eu não conseguiria dizer melhor. Foi um óptimo exercício de memória o diário que escrevi, valeram a pena as 5 horas de viagem.
Vou-me ficar então por relacionar momentos mais castiços, sui generis, emotivos, secantes, marcantes, decepcionantes.


BCN (2) – Manchester united (0)

No mesmo dia em que assistimos à première europeia do All Tomorrow's Parties - The Film, jogava-se a final da Champions League. Barcelona estava em loucura total. Avisaram-nos de antemão: Se eles perdem vão calminhos para casa, mas se eles ganham... ui... melhor guardar as motos dentro de casa e esperar o pior! Nós nada vimos. Só sentimos uma cidade inteirinha em júbilo. Como não houve tempo para procurar uma tasca para os lados da Paral.lel, petiscamos num marroquino próximo da Sala Apolo e a loucura foi igualmente fora de série. Mais não se poderia esperar de uma das mais requisitadas capitais europeias.




Os senhores do Crowd Surfing
The Jesus Lizard e Duchess Says foram OS senhores.

Dos primeiros até se espera o crowd surfing e o concerto foi very impressive. Stage diving no seu apogeu!

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Foto: travel feelings

De Duchess Says eu nada esperava. Não os conhecia. O concerto vimo-lo na festa de despedida do Primavera Sound, novamente na sala Apolo. Duchess says é algo entre o punk, o gótico e a eletrónica soberbamente interpretado por Annie-Claude: I want to see some more of this white light, please. I want to see some more of this white light. Annie-Claude queria ver o público, molhar o público, dançar com o público, brincar com o público, confundir o público, fazer crowd-surfing no público e dar uma grande grande dor de cabeça aos técnicos. Definitivamente a repetir.


Nem aqueceu nem arrefeceu

Yo La Tengo deram para mim um concerto amorfo. Não sei se pelos meninos ou por mim. Já lá vai o tempo em que ouvia And Then Nothing Turned Itself Inside-Out. Acho que esperava mais de uma banda que começou a dar os primeiros passos e ainda eu tinha uns mini 4 aninhos. Senti que esta tinha sido uma má escolha pois à mesma hora tocava Joe Crepúsculo y Los Destructores e diz quem viu que pouco faltou para ser do ca#$#%$%&.

As Vivian Girls dão um espectáculo de rockinho bem tocado por 3 meninas compenetradas e uma baterista faladora (por incrível que possa parecer). Tiveram críticas muito boas aos álbuns mas não me trouxeram nada de novo. Fiquei sem compreender muito bem o entusiasmo à sua volta.

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Foto: Josep M. Martí

Tínhamos visto Bloc Party há pouco tempo no Olympia de Londres como atrelado aos Foals. No Primavera Sound o alinhamento foi diferente, mas o espectáculo foi pouco mais do mesmo.


O princípio da incerteza

Este ano os bilhetes para o Auditori vendiam-se nas máquinas, mas apenas no próprio dia. Acreditamos que seria possível arranjar bilhete para Extralife e na sexta-feira chegamos mais cedinho. Mas qué dos bilhetes?! Nickles. Os concertos no Auditori são como os pilhões. Que os há, há. Eu é que nunca os vi.


NOTA: por ser bastante grande optamos por colocar o texto completo numa página à parte. Para continuar a ler basta clicar aqui)


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de molho...

Preparação Photobucket 

Nos próximos dias o Salão de Baile será outro que não este blog.
Partimos de armas e bagagens para o Primavera Sound. 
Eu e a minha cara metade. A LoLa e o seu Signor. 

Prometemos esmiuçar tudinho mal aterremos em terras lusas.
Tudinho... quer-se dezer... não sei se já perceberam, mas o mote deste blog são as mulheres.
Assim sendo, elas serão as mais visadas no pós-Primavera Sound.
Até lá fiquem com esta maravilha.




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Handsome Furs

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Handsome Furs
Via Latina. Coimbra
20Maio09

O concerto foi fuckin' awesome!!!!!!!!

Nada nos preparava para a brutalidade que aquilo iria ser.
Mal os Handsome Furs entraram em palco, a LoLa e eu, olhamos uma para a outra e percebemos logo: estão todos mamados. Os olhos não enganavam que o Tide lava mais brancA: Did we mention were a punk band?
Estavam ao triplo do ritmo da própria música, mas isso só tornou o concerto ainda melhor. Deram o tudo por tudo e quando perceberam que o público estava mais do que receptivo, deram ainda mais: Berlin - 0, Coimbra - 1.

Alexei Perry e Dan Boeckner têm uma cumplicidade que transparece ao longo de uma hora de garra masculina e olhos femininos esbugalhados.
Música dançável. Nunca se enganaram e ainda nos premiaram com uma música nova.


(Imagem postada por Borderline no ForumSons)

Depois? Depois chegou o encore. O primeiro foi o da praxe. O segundo foi muito pedido e muito desejado:
ObrigadoS. ObrigadoS. This is our first time in Portugal. For two years we've been trying to come to Portugal. You're amazing. ObrigadoS. ObrigadoS.
Que esta frase pareça cliché para quem lê, até acredito, mas para quem viu não restam dúvidas que veio do coração.

Deixo aqui um vídeo que dá um cheirinho do que por ali se passou. Brilhante.





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